CORAÇÃO DE LUTO: 40 ANOS DEPOIS
>> 31 de ago. de 2007
Em setembro de 1967, portanto há exatos 40 anos atrás, chegava às telas do Rio Grande do Sul, um dos maiores sucessos cinematográficos da história gaúcha: “Coração de Luto”. Para comemorar o aniversário do filme, o blog Revivendo Teixeirinha traz uma série de três matérias especiais. Hoje, e nas próximas duas semanas, vamos conhecer um pouco mais desta emocionante obra. Vale lembrar que esta matéria especial foi dividida em três partes: “O início de tudo” (1º/09); “Luz, câmera, ação!” (08/09) e; “O filme Coração de Luto” (15/09).
O inicio de tudo
Os anos 1950 foram marcados por uma série de filmes rodados de forma artesanal, muitas vezes por aventureiros. Fazer cinema no Rio Grande do Sul era um sonho. Aliás, era um sonho caro! Só conheciam sucesso as produtoras dos famosos cine-jornais. As principais eram, naquela época, a Interfims – de Itacir Rossi – e a Leopoldis-Som. É justamente esta última a que mais nos interessa na história de “Coração de Luto”.
A Leopoldis-Films nasceu em 1924, por iniciativa de Ítalo Manjeroni, que montou artesanalmente uma câmera e passou a produzir pequenos documentários e cine-jornais. Em 1937, a Leopoldis já era responsável pelo principal cine-jornal do Estado, o “Atualidades Gaúchas”. Neste mesmo ano, a produtora aderiu às filmagens sonoras, passando a se chamar Leopoldis-Som.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Leopoldis enfrentou sérias dificuldades, pois os filmes (sempre importados) eram escassos no mercado. Terminado o conflito, a produção foi retomada, mas a chegada da televisão – no início dos anos 1950 – criou um novo obstáculo para a empresa de Manjeroni. Foi então que a Leopoldis-Som decidiu investir num novo empreendimento: aproveitar sua infra-estrutura técnica para produzir filmes comerciais de longa-metragem.
O produtor Derly Martinez, dono de uma excelente visão de mercado, logo idealizou uma produção que se pagasse. Sua intenção era fazer da Leopoldis-Som uma verdadeira indústria de cinema, com altos investimentos e qualidade. No entanto, para que tudo isso se concretizasse, os executivos da produtora necessitavam de um nome que lotasse os cinemas já no primeiro filme. Este nome logo apareceu: Teixeirinha!
Em 1966, Teixeirinha já era famoso em todo o Brasil. Sua música mais famosa (“Coração de Luto”) continuava sendo a mais pedida nas rádios e a mais vendida no mercado. Apesar da crítica – que rebatizara o sucesso como “Churrasquinho de Mãe” – o povo apoiava Teixeirinha incondicionalmente. O sucesso da música (a autobiografia do próprio cantor) chamou a atenção de todos, inclusive dos produtores da Leopoldis-Som. Surgiu, então, a idéia de transformar “Coração de Luto” em um filme.
Para alguns, esta a idéia teria vindo do próprio Teixeirinha que, fã declarado de Vicente Celestino, gostava muito de assistir ao clássico “O Ébrio” (Cinédia, 1939), teria o inspirado. Já para outros, a idéia teria vindo mesmo de Derly Martinez que via em Teixeirinha um artista popular capaz de seguir os passos do célebre Mazzaropi, lotando salas de cinema de todo o país.
Independente de quem tenha sido a idéia, o fato é que, em 1966, a Leopoldis-Som e Teixeirinha acertaram um contrato para rodar a história de vida do cantor. Era o primeiro passo para que aquela famosa música se transformasse em filme.
Na próxima semana acompanharemos os meses de produção, a elaboração dos roteiros e a gravação das cenas. E ainda: como “Coração de Luto” tornou-se um sucesso antes mesmo de ter sido lançado. Não perca!
TEXTO: Chico Cougo Jr.
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O inicio de tudo
Os anos 1950 foram marcados por uma série de filmes rodados de forma artesanal, muitas vezes por aventureiros. Fazer cinema no Rio Grande do Sul era um sonho. Aliás, era um sonho caro! Só conheciam sucesso as produtoras dos famosos cine-jornais. As principais eram, naquela época, a Interfims – de Itacir Rossi – e a Leopoldis-Som. É justamente esta última a que mais nos interessa na história de “Coração de Luto”.
A Leopoldis-Films nasceu em 1924, por iniciativa de Ítalo Manjeroni, que montou artesanalmente uma câmera e passou a produzir pequenos documentários e cine-jornais. Em 1937, a Leopoldis já era responsável pelo principal cine-jornal do Estado, o “Atualidades Gaúchas”. Neste mesmo ano, a produtora aderiu às filmagens sonoras, passando a se chamar Leopoldis-Som.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Leopoldis enfrentou sérias dificuldades, pois os filmes (sempre importados) eram escassos no mercado. Terminado o conflito, a produção foi retomada, mas a chegada da televisão – no início dos anos 1950 – criou um novo obstáculo para a empresa de Manjeroni. Foi então que a Leopoldis-Som decidiu investir num novo empreendimento: aproveitar sua infra-estrutura técnica para produzir filmes comerciais de longa-metragem.
O produtor Derly Martinez, dono de uma excelente visão de mercado, logo idealizou uma produção que se pagasse. Sua intenção era fazer da Leopoldis-Som uma verdadeira indústria de cinema, com altos investimentos e qualidade. No entanto, para que tudo isso se concretizasse, os executivos da produtora necessitavam de um nome que lotasse os cinemas já no primeiro filme. Este nome logo apareceu: Teixeirinha!
Em 1966, Teixeirinha já era famoso em todo o Brasil. Sua música mais famosa (“Coração de Luto”) continuava sendo a mais pedida nas rádios e a mais vendida no mercado. Apesar da crítica – que rebatizara o sucesso como “Churrasquinho de Mãe” – o povo apoiava Teixeirinha incondicionalmente. O sucesso da música (a autobiografia do próprio cantor) chamou a atenção de todos, inclusive dos produtores da Leopoldis-Som. Surgiu, então, a idéia de transformar “Coração de Luto” em um filme.
Para alguns, esta a idéia teria vindo do próprio Teixeirinha que, fã declarado de Vicente Celestino, gostava muito de assistir ao clássico “O Ébrio” (Cinédia, 1939), teria o inspirado. Já para outros, a idéia teria vindo mesmo de Derly Martinez que via em Teixeirinha um artista popular capaz de seguir os passos do célebre Mazzaropi, lotando salas de cinema de todo o país.
Independente de quem tenha sido a idéia, o fato é que, em 1966, a Leopoldis-Som e Teixeirinha acertaram um contrato para rodar a história de vida do cantor. Era o primeiro passo para que aquela famosa música se transformasse em filme.
Na próxima semana acompanharemos os meses de produção, a elaboração dos roteiros e a gravação das cenas. E ainda: como “Coração de Luto” tornou-se um sucesso antes mesmo de ter sido lançado. Não perca!
TEXTO: Chico Cougo Jr.